26 fevereiro, 2013

Pois é


Pois é, não deu
Deixa assim como está, sereno
Pois é, de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver
E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
Avisa que é de se entregar o viver
Pois é, até
Onde o destino não previu
Sem mais atrás, vou até onde eu conseguir
Deixa o amanhã e a gente sorrir
Que o coração já quer descansar
Clareia a minha vida, amor, no olhar
Marcelo Camelo

23 fevereiro, 2013

Urubu Rei

São criaturas mudas, pois não possuem laringe inferior, 
Elas emitem apenas um bufar... 
Alimentam-se da carne em putrefação de outras criaturas mortas ou agonizantes para sobreviver.
Criaturas extremamente majestosas essas!
 Lembram-me a natureza de alguns seres humanos...
Estes não precisam de amigos
Apenas de aliados.
Não possuem limites, fazem e pensam o que querem,
Mas vivem sozinhos,
Distorcem a realidade das coisas em prol de algum sentido para sua medíocre existência
E assim devoram o que veem pela frente...
No final das contas também acabam sendo devorados!

"Você que me come também,
Acaba na boca de alguém..."


Urubu que não canta
Come a própria garganta
Não pia, espia
Preto feito o cabelo da Mulher-Maravilha
Urubu não se cansa
Vê na morte a sua esperança
Não via, havia
Preto feito o desejo do branco um dia
Não sei se sabia da lei
Natureza que rasga, eu sei
Você que me come, também
Acaba na boca de alguém
Urubu-Rei
Ana Cañas


14 fevereiro, 2013

Olha só, moreno


Olha só,
Moreno do cabelo enroladinho,
Vê se olha com carinho pro nosso amor,
Eu sei que é complicado amar tão devagarinho
E eu também tenho tanto medo,
Eu sei que o tempo anda difícil e a vida tropeçando,
Mas se a gente vai juntinho, vai bem.
Eu não sei se você sabe, mas eu ando aqui tentando
E a gente tem o eterno amor de além.
E eu me pergunto o que é que eu sou.
Vai ver eu não sou mesmo nada
E eu me pergunto o que é que eu fiz.
Vai ver eu não fiz mesmo nada,
Eu penso tanto em desistir,
Mas afinal, não ganhei nada.
Olha só,
Moreno do cabelo enroladinho,
Vê se olha com carinho pro nosso amor,
Que eu sei que é complicado amar tão devagarinho
E eu também tenho tanto medo,
Eu sei que o tempo anda difícil e a vida tropeçando,
Mas se a gente vai juntinho, vai bem.
Eu não sei se você sabe, mas eu ando aqui tentando
E a gente tem o eterno amor de além.
E eu me pergunto o que é que eu sou.
Vai ver eu não sou mesmo nada
E eu me pergunto o que é que eu fiz.
Vai ver eu não fiz mesmo nada,
Eu penso tanto em desistir,
Mas afinal, não ganhei nada.
 Mallu Magalhães


Todo o carnaval tem seu fim


Todo dia um ninguém josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo
Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
E é o fim, e é o fim
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz
Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz
Marcelo Camelo  

Novo Amor


A luz apaga porque já raiou o dia
E a fantasia vai voltar pro barracão
Outra ilusão desaparece quarta-feira
Queira ou não queira terminou o carnaval.
Mas não faz mal, não é o fim da batucada
E a madrugada vem trazer meu novo amor
Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro
Come o couro no terreiro porque o choro começou.
A gente ri
A gente chora
E joga fora o que passou
A gente ri
A gente chora
E comemora o novo amor.
 Edu Krieger