17 setembro, 2018

Triste, Louca ou Má

Triste, Louca ou Má

Eis que Ressurjo

Reinvento

Revivo

Descubro

Acalma o peito

Olhe pra si

Aceita quem é 



Triste louca ou má
Será qualificada
Ela quem recusar
Seguir receita tal

A receita cultural
Do marido, da família
Cuida, cuida da rotina

Só mesmo rejeita
Bem conhecida receita
Quem não sem dores

Aceita que tudo deve mudar

Que um homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define
Você é seu próprio lar

Um homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define

Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só

Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só

Eu não me vejo na palavra
Fêmea: Alvo de caça
Conformada vítima

Prefiro queimar o mapa
Traçar de novo a estrada
Ver cores nas cinzas
E a vida reinventar

E um homem não me define
Minha casa não me define
Minha carne não me define
Eu sou meu próprio lar

Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só


Francisco, El Hombre




13 julho, 2015

De Onde Vem a Calma

Quando tudo ameaça desabar,
O chão cair,
Mãos e pés adormecem.
Vem Deus 
Segura firme,
Aperta forte
Não solta a mão.
A tristeza não é bem ver a intolerância do mundo
A tristeza maior é esquecer
Quem você é


De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente?
Ele não sabe ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil

De onde vem o jeito tão sem defeito?
Que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão

Eu não vou mudar, não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final, assim, calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim

Marcelo Camelo

17 junho, 2015

A Voz Da Pedra


Narração: Ana Julia Cordeiro & Giovana Cordeiro
Texto: Fernanda de Oliveira
Cinegrafista: Murilo Oliveira
Tilha Sonora: Giordano Pagotti
Violão, Piano: Giordano Pagotti 
Violino, Viola: Raphael Batista
Violoncelo: Eder Belchior
Cinegrafista: Murilo Oliveira
Produtora de Áudio: A Voz da América

"Será que pedra fala?
Ou será que a gente é que não escuta? 
Será que fala em silêncio? 
Ou será que realmente é muda?

O rio leva a pedra

E ela não reclama. 
Ela aprofunda
Um pássaro pousa nela e ela não o espanta.
 Ela afunda

Será que o Pedro fala?

 Ou será que é a gente que não escuta? 
Será que fala em silêncio? 
Ou será que a gente é que muda?

A mãe pega o Pedro 

E ele não reclama
Ele fica corcunda
Eu lhe dou um beijo

E ele não espanta
Ele acumula

Não se muda
Não se mexe
Mas cultiva-se uma muda
E ela floresce

É preciso mesmo falar...

Quando se trata de Amor?
Tudo se torna desnecessário

Tudo torna-se vapor

Se me calo, se paro...

Vejo pedra me cochichando
Sinto fofoca de abelha
Vejo vento ventando
Se sou estátua, me sinto

Se fecho os olhos, me ouço
Se não penso, lhe vejo

Se amo, não receio

Segredo meu agora com o mundo é assim

E o mundo me conta tanta coisa...
É, tem hora que sou o rio pro mundo

Tem hora que sorrio pra todo mundo
Hora lavo igual oceano sem fundo

Outra levo broto fecundo

Um mar que beija a rocha

Uma montanha que sustenta tudo

Quero ser filha de ninguém

Quero ser mãe de alguém
Talvez ser contente
Amar independentemente

Evaporar

Aparecer...

Pedreiro da própria vida
Ou pedraria perfeita e infinita...

Mas tem momento

Que a noite sopra aquele vento
E a vontade se cobre com um manto
E o rio me leva pra outro canto

Eu não reclamo

Eu não me espanto
Porque também...
O que é melhor?
O que é obsoleto?"

O filme "A Voz Da Pedra" é parte do projeto "Muda do Afeto" e busca a sensibilização e conscientização em relação às pessoas com deficiência. Mas na minha opinião, vai além disso. O filme nos convida a refletir sobre o despertar para a vida e o amor. É de uma sensibilidade única. Vale a pena conferir. 


Site do Projeto: http://mudadoafeto.com.br/



27 outubro, 2014

Amor de pinguim


A incerteza do Mundo nos desespera.
Mas tudo melhora quando não estamos sós.
Seja como for, entre lutas ou dificuldades, sempre estarei presente.
 Pois é assim que eu amo, foi assim que aprendi.
Eu sempre quis um amor de pinguim.
Não sou perfeita, muito menos espero príncipe algum.
Sou mulher de chegar junto, ir à luta, sinto demasiadamente o que o outro sente.
 Você surgiu quando desacreditei.
Seu canto eu facilmente encontrei,
Foi o destino que o levou até mim
Você trouxe a pedra mais linda da praia e eu me encantei
Nós dançamos até hoje, como pinguins.
Temos tanto ainda pela frente...
Eu só queria ter essa aventura com você,
Essa aventura que é viver
E sem medo, ser feliz. 

14 setembro, 2014

Me sinto ótima

Cansei de carregar milhões de medos
Das pessoas que me cercam e pesam de agonia
Eu já tenho lá os meus anseios, os meus receios
Que eu perco com a luz do dia
Eu tenho acordado cedo e me sinto ótima

Eu gosto do gosto da coragem
A melhor viagem é seguir a trilha que eu abri
Eu me achei no colo do meu par
A melhor parte de mim eu acabei de descobrir
E se perguntarem por mim, diga que estou ótima

O que está havendo em mim
Eu já nem sei dizer
Será que a sorte foi onde eu posso ver
Eu tenho céu de abrigo
Pra desentristecer
Serei o que sobrar de mim

Sem nada a perder



Malu Magalhães



09 março, 2014

Dois Barcos


Sobre o amanhã, Não sei.
Vou seguindo devagar,
Na certeza de tudo que já vivi
Buscando o que ainda não pude viver.
É preciso coragem, confiança e fé, 
E isso vem lá de dentro.

Quem bater primeiro à dobra do mar
Dá de lá bandeira qualquer
Aponta pra fé e rema
É, pode ser que a maré não vire
Pode ser do vento vir contra o cais
E se já não sinto os teus sinais
Pode ser da vida acostumar
Será, Morena?
Sobre estar só, eu sei
Nos mares por onde andei
Devagar dedicou-se mais o acaso a se esconder
E agora o amanhã, cadê?
Doce o mar, perdeu no meu cantar
Só eu sei
Nos mares por onde andei
Devagar dedicou-se mais o acaso a se esconder
E agora o amanhã, cadê?
Marcelo Camelo



14 setembro, 2013

Paciência

O tempo não espera
E quase sempre passa despercebido,
Eu sei, é preciso...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para...
Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...
Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber ?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber ?
A vida é tão rara
Tão rara...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não...
Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber ?
Será que temos esse tempo
Pra perder ?
E quem quer saber ?
A vida é tão rara
Tão rara...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não...
A vida não para...
Lenine