13 julho, 2015

De Onde Vem a Calma

Quando tudo ameaça desabar,
O chão cair,
Mãos e pés adormecem.
Vem Deus 
Segura firme,
Aperta forte
Não solta a mão.
A tristeza não é bem ver a intolerância do mundo
A tristeza maior é esquecer
Quem você é


De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente?
Ele não sabe ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil

De onde vem o jeito tão sem defeito?
Que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão

Eu não vou mudar, não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final, assim, calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim

Marcelo Camelo

17 junho, 2015

A Voz Da Pedra


Narração: Ana Julia Cordeiro & Giovana Cordeiro
Texto: Fernanda de Oliveira
Cinegrafista: Murilo Oliveira
Tilha Sonora: Giordano Pagotti
Violão, Piano: Giordano Pagotti 
Violino, Viola: Raphael Batista
Violoncelo: Eder Belchior
Cinegrafista: Murilo Oliveira
Produtora de Áudio: A Voz da América

"Será que pedra fala?
Ou será que a gente é que não escuta? 
Será que fala em silêncio? 
Ou será que realmente é muda?

O rio leva a pedra

E ela não reclama. 
Ela aprofunda
Um pássaro pousa nela e ela não o espanta.
 Ela afunda

Será que o Pedro fala?

 Ou será que é a gente que não escuta? 
Será que fala em silêncio? 
Ou será que a gente é que muda?

A mãe pega o Pedro 

E ele não reclama
Ele fica corcunda
Eu lhe dou um beijo

E ele não espanta
Ele acumula

Não se muda
Não se mexe
Mas cultiva-se uma muda
E ela floresce

É preciso mesmo falar...

Quando se trata de Amor?
Tudo se torna desnecessário

Tudo torna-se vapor

Se me calo, se paro...

Vejo pedra me cochichando
Sinto fofoca de abelha
Vejo vento ventando
Se sou estátua, me sinto

Se fecho os olhos, me ouço
Se não penso, lhe vejo

Se amo, não receio

Segredo meu agora com o mundo é assim

E o mundo me conta tanta coisa...
É, tem hora que sou o rio pro mundo

Tem hora que sorrio pra todo mundo
Hora lavo igual oceano sem fundo

Outra levo broto fecundo

Um mar que beija a rocha

Uma montanha que sustenta tudo

Quero ser filha de ninguém

Quero ser mãe de alguém
Talvez ser contente
Amar independentemente

Evaporar

Aparecer...

Pedreiro da própria vida
Ou pedraria perfeita e infinita...

Mas tem momento

Que a noite sopra aquele vento
E a vontade se cobre com um manto
E o rio me leva pra outro canto

Eu não reclamo

Eu não me espanto
Porque também...
O que é melhor?
O que é obsoleto?"

O filme "A Voz Da Pedra" é parte do projeto "Muda do Afeto" e busca a sensibilização e conscientização em relação às pessoas com deficiência. Mas na minha opinião, vai além disso. O filme nos convida a refletir sobre o despertar para a vida e o amor. É de uma sensibilidade única. Vale a pena conferir. 


Site do Projeto: http://mudadoafeto.com.br/