29 junho, 2012

Quando Assim

 Quando eu era espera,
Nada era, nem chovia, nem fazia;
Só senti que a calma, não acalma
Quando só há solidão.
Quando eu era estrela
Era inteira na mentira que eu dizia
Ser o que não era,
Convencia, dentro da minha ilusão
Quando eu fui nada,
Faltou nada, tudo pronto pra escrever
Eu não sabia buscar,
Foi quando apareceu,
O que eu quis inventar,
Pra preencher o meu mundo particular,
No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu,
Já sei dizer que o amor pode acordar.
Núria Mallena

27 junho, 2012

Breve canção de Sonho

 Eu amo tudo o que foi 
Tudo o que já não é 
A dor que já não me dói 
A antiga e errônea fé 
O ontem que a dor deixou 
O que deixou alegria 
Só porque foi, e voou 
E hoje é já outro dia. 

Fernando Pessoa

                                          Psiqué reanimada pelo beijo do amor
                                           Antonio Canova (1787-1793)  
                                   
  Dormi sozinha e acordei
Cantando a nossa canção
Canção que só escutei
Num sonho que eu não lembrei
Mas juro havia paixão
Ainda vou me lembrar
De cada nota e refrão
Só sei que cê tava lá
E tudo o que aconteceu
Fugiu pra outro lugar
Não sei se posso falar assim do que vi
Você cantava pra mim
Suspiros, flores, perdão
Canção de amor é assim
Dormi sozinha e acordei
Cantando a nossa canção
Canção que só escutei
Num sonho que eu não lembrei
Mas juro havia paixão
Não sei se posso falar assim do que vi
Você cantava pra mim
Suspiros, flores, perdão
Canção de amor é assim
Não sei se posso falar assim do que vi sem saber
Você cantava pra mim
Se é ato falho, não sei
Canção de amor é assim
Dimitri BR e Zélia Duncan

 

10 junho, 2012

Surrealidade

                                                          (Hans Bellmer / 1902 - 1975 )

As lembranças de um tempo que se foi,
Por vezes teimam em me inundar...
As sombras de uma vida que pensei ter construído,
Por vezes invadem minha porta e entram sem bater.
Bastam algumas simples palavras
Para que eu mergulhe em lembranças,
Lembranças que estraçalham o peito...
Pois foram ditas,
Mas não condizem com o que vejo.
Simples palavras não me valem mais...
Simples canções podem representar o que alguns sentem,
Mas para o que sinto intimamente,
Não há música ou poesia que exprima.
Talvez alguma obra surrealista consiga em parte demonstrar
 A desconfiguração de minha alma,
Quando o “para sempre” foi substituído
Pela rejeição e o abandono,
Quando sentimentos foram trocados por silêncio e solidão.
Felizmente não sou um brinquedo quebrado
Que pode ser consertado.
Felizmente, eu não tenho conserto!
Mas certamente preciso de algo que ainda não tive
E talvez ninguém possa dar,
Talvez meu Universo seja muito surreal
Para alguém ousar entender...

01 junho, 2012

Mar de Mim


Sou como brisa que sopra em silêncio,
Nem todos conseguem sentir...
Sou como uma tempestade que inunda e enevoa,
Nem todos conseguem apreciar...
Hoje me satisfaço em amar o contraste que sou,
Fico feliz em me ter comigo
Enquanto me delicio no que descubro a cada dia.
 Meu maior prazer é mergulhar num mar de mim...
E o desafio que encontro é redescobrir quem sou.
Quando me percebo,
Encontro inúmeras esculturas desconstruídas e inacabadas,
Eu que sempre busquei perfeição em tudo que vi,
Hoje me descubro imperfeita, 
E rio disso,
Rio dos meus defeitos, 
Rio das minhas amarguras e do medo de ser esquecida ou descartada,
Rio da minha lerdeza e do meu gosto incomum pelas coisas.
Não espero mais encontrar alguém que me salve
Ou compreenda metade do que sou,
Procuro alguém que consiga ver além de mim,
Alguém que consiga ao menos enxergar-me bela,
Uma beleza que não só é vista,
Mas sentida da forma mais pura,
Alguém que mergulhe fundo sem receio,
Desvende-me com bravura,
E queira adentrar mansamente
Nesse mar que existe em mim...