(Hans Bellmer / 1902 - 1975 )
As lembranças de um tempo que se foi,
Por vezes teimam em me inundar...
As sombras de uma vida que pensei ter construído,
Por vezes invadem minha porta e entram sem bater.
Bastam algumas simples palavras
Para que eu mergulhe em lembranças,
Lembranças que estraçalham o peito...
Pois foram ditas,
Mas não condizem com o que vejo.
Simples palavras não me valem mais...
Simples canções podem representar o que alguns sentem,
Mas para o que sinto intimamente,
Não há música ou poesia que exprima.
Talvez alguma obra surrealista consiga em parte demonstrar
A desconfiguração de minha alma,
Quando o “para sempre” foi substituído
Pela rejeição e o abandono,
Quando sentimentos foram trocados por silêncio e solidão.
Felizmente não sou um brinquedo quebrado
Que pode ser consertado.
Felizmente, eu não tenho conserto!
Mas certamente preciso de algo que ainda não tive
E talvez ninguém possa dar,
Talvez meu Universo seja muito surreal
Para alguém ousar entender...

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