Meu olhar se perde em direção ao nada,
Visito um mundo onde não conheço ao certo
Mergulho intimamente em busca de mim...
Encontro minha essência a muito abafada
Pergunto onde esteve todo esse tempo,
Ouço um sussurro: “Sempre estive aqui!”.
O que faço então com a angústia e o vazio que sinto no peito?
“Sinta-os e celebre com a solidão”.
Fico atônita, como posso eu querer celebrar com a solidão?
Se por temor a ela quase pereci,
Se por temor a solidão me esqueci de quem sou...
Num piscar de olhos retorno ao mundo externo,
Olho ao redor de mim
E o que vejo não me conforta.
O que vejo é falta de compaixão, exigências, egoísmo, inveja, ciúmes;
Vejo uma supervalorização de tudo que é superficial e descartável,
Como microchips implantados para roubar tudo o que realmente nos pertence,
Nossos sentimentos puros e livres, e a nossa própria humanidade.
Percebo que a solidão tem nome e me acompanha sem que eu solicite.
Ela está presente em tantos momentos...
Quando me decepciono, sofro, busco e não encontro;
Quando descubro algo novo, me emociono ou digo adeus;
Quando sinto tristeza, erro ou sinto alegria.
Respiro fundo, penso que a solidão é fiel...
Fecho os olhos enfim e sorrio,
Dentro de mim algo novo brota
E está prestes a desabrochar densamente,
Como um broto de rosa em meio ao adubo,
Como um embrião imerso no útero da mãe em pleno desenvolvimento.
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