24 dezembro, 2012

Falta

Palavras não vão me satisfazer
Mas o sentido que desperta o teu silêncio ao me tocar,
Ao me perder em teu olhar.
Só agora posso perceber...
Não há contentamento melhor que o amor
Não há sentido maior que amar...


Falta ficar com você
Te encontrar e me perder
Olha nos meus olhos
E diga sem dizer
São os silêncios
Que me fazem perceber
Falta faltar o ar
Quando a gente
Se encontrar
Saudade é casa
Onde mora o amor
Agora é longe
O tempo sem você parou
Perto do sentido
Incompreendido
Encontrei toda razão
E tudo está perdido
Menos o coração
Ana Cañas

20 dezembro, 2012

Dançando

"Dançando com você"
A ultima coisa que faria...
Dois corpos num encontro invasivo
A vontade de finalmente encontrar
O que vai permanecer
Mesmo após o fim dos dias
 

Eu sei que lá no fundo
Há tanta beleza no mundo
Eu só queria enxergar
As tardes de domingo
O dia me sorrindo
Eu só queria enxergar
Qualquer coisa pra domar
O peito em fogo
Algo pra justificar
Uma vida morna
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você
Não esqueço aquela esquina
A graça da menina
Eu só queria enxergar
Por isso eu me entrego
À um imediatismo cego
Pronta pro mundo acabar
Você acredita no depois?
Prefiro o agora
Se no fim formos só nós dois
Que seja lá fora
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você

14 dezembro, 2012

Ao acaso

Hoje vejo o lado bom das coisas que me fizeram sofrer...

"Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso. "
Antoine de Saint-Exupérv

12 dezembro, 2012

Redenção


Entregue a tudo, ao nada,
Sem muita espera...
Tantas sensações não vividas,
Um lugar perdido
Meu coração ferido de dor
A certeza do vazio
De ter sido esquecida
A certeza de que nada voltará
A esperança sem espera
A espera que destrói
A busca da definição
Redenção é o nome
Quem se rende é fiel aos outros
Quem se rende, não pensa em si mesmo.
A decisão de lutar
Lutar para esquecer
Os olhos cintilantes queimam por dentro
A saudade corrói o coração
A revolta que me faz esquecer quem eu sou
Que me faz morrer aos poucos,
Escolhi viver

18 novembro, 2012

Diabo

Eu sei,
Luxúria, soberba, 
Não há nada de nobre nisso...


Essas mulheres do seu lado
Elas não sabem o que eu sei
Elas nunca vão te dar o que eu te dei
E o último cigarro eu ainda não fumei
Se elas soubessem o que eu sinto
Pra falar a verdade às vezes eu minto
Com você eu rezo, pra eles eu finjo
E a última canção será o silencio do seu grito
Faca na boca do desejo
No meio das minhas pernas eu te vejo
Roubando de Deus, bebendo o veneno
E agora o diabo vive aqui dentro
E agora o diabo vive aqui dentro...
Ana Cañas

16 novembro, 2012

O Vencedor


Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?
Eu que nunca fui assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz
Marcelo Camelo

08 novembro, 2012

Pra você guardei o amor

Assim continuo,
E não há o que entender,
Simplesmente cessou.
Decidi
Que o melhor de mim
Permanecerá
Sem jamais esmorecer
Tudo que tenho e posso dar,
Tudo que sou
Nesse estranho e belo mundo
Alguém será capaz de compreender

 

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que o arco-íris
Risca ao levitar
Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
 Nando Reis

31 outubro, 2012

Muito Pouco

Buscando respostas,
Só encontro o vazio.
Paro de pensar,
Ouço uma canção
E o sentido de tudo lá está


Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei
E um pouco mais real
Esqueça
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida traz.
Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Porque
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar
Porque muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero ...
...veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz
A estrutura de um grande amor
Simplesmente seja
O que você julgar ser o melhor
Mas lembre-se que tudo que começa com muito
Pode acabar muito pior
E muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais.
 Moska

19 outubro, 2012

Os amadores

Ando pela estrada sem nada esperar
Não há sinalização ou placa alguma a me guiar
Sinto minha mente fugir de tudo que é certo
Indo de encontro ao incerto,
Perdi-me, ao tentar me encontrar...

 
Não era esse o meu plano
Mas o que aconteceu?
Eu sei que tinha um sentido
Alguma coisa mais clara
que escureceu
Ou que ficou no caminho
A minha coleção de sonhos perdidos
É quase nada, mas é tudo que eu carrego
Talvez um breve delírio
Que desapareceu
Só um retrato vazio
O meu futuro brilhante
Talvez não fosse meu
E agora eu ando perdido
Não sou só eu, ninguém entende direito
Porque é que tudo foi ficar desse jeito
Não há onde chegar
Nem um roteiro preciso
Nós somos amadores
Tudo aqui é improviso
Não sei se alguém mais sente
Isso que eu tenho sentido
A vida não parece ser o que ela poderia ter sido
Provavelmente fui eu
Que não compreendi
Ou alguém esqueceu de avisar
Que era melhor aceitar
Que a vida é o que é
Que a gente espera demais
Mas tem um peso que eu carrego no peito
Eu sinto falta do que eu nem sei direito
Não há onde chegar
Nem um roteiro preciso
Nós somos amadores
Tudo aqui é improviso
Não sei se alguém mais sente
Isso que eu tenho sentido
A vida não parece ser o que ela poderia ter sido
 Leoni / Luciana Fregolente

18 outubro, 2012

Quando me amei de verdade


Quando me amei de verdade,
compreendi que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia,
meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que
estou indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é... Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a
minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é
ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.

Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável ... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa
que me pusesse para baixo.
De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, Abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo
o passado e de me preocupar com o Futuro. Agora, me mantenho no
presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é saber viver.
                      Chaplin

17 outubro, 2012

Ternura


Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.
 Chaplin

É proibido sofrer


É proibido sofrer
Nas noites longas de inverno
Quando o mundo todo te esquecer
É proibido sofrer
Esperando por alguém
Que nunca vai aparecer
É proibido sofrer
Nos dias longos de sol
Na lua cheia e no carnaval
É proibido sofrer
A dor é só um descuido
Já tem remédio pra tudo
Tem alegria em tablete
Pra te manter no ar
Só sofre quem não quiser
Ou não puder pagar
A ordem é ser feliz
Por toda a eternidade
Feito prisão perpétua
Entre sorrisos falsos e amenidades
É proibido sofrer
Eu li, tá fora de moda
É falta de educação
É proibido sofrer
Os dias são de euforia
A felicidade é uma obrigação.
É proibido sofrer
Chorar nas tardes de outono
Pensar demais e perder o sono
É proibido sofrer
Não vale a pena a viagem
É muito cara a passagem
É muito escuro no fundo
Ninguém mais vai pra lá
Ninguém te chama pra nada
Nem quer te visitar
A ordem é ser feliz
Por toda a eternidade
Feito prisão perpétua
Entre sorrisos falsos e amenidades
A ordem é ser feliz
Por toda a eternidade
Feito prisão perpétua
Entre sorrisos falsos e amenidades
A ordem é ser feliz
Por toda a eternidade
Feito prisão perpétua
Entre sorrisos falsos e amenidades
Momentos rasos de normalidade
Não me apareça aqui
Com sua bagagem de infelicidade
Porque a ordem é ser feliz
É proibido sofrer (é proibido)
A ordem é ser feliz
É proibido sofrer (é proibido)
Porque a ordem é ser feliz
É proibido sofrer (é proibido)
A ordem é ser feliz
Leone

08 setembro, 2012

Velha e Louca

Pode falar que eu não ligo,
Agora, amigo,
Eu tô em outra,
Eu tô ficando velha,
Eu tô ficando louca.
Pode avisar qu'eu não vou,
Oh oh oh...
Eu tô na estrada,
Eu nunca sei da hora,
Eu nunca sei de nada.
Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.
Pode falar qu'eu nem ligo,
Agora eu sigo
O meu nariz,
Respiro fundo e canto
Mesmo que um tanto rouca.
Pode falar, não importa
O que tenho de torta,
Eu tenho de feliz,
Eu vou cambaleando
De perna bamba e solta.
Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.
Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.
Mallu Magalhães


15 agosto, 2012

A Filha do Vento

Onde está o amor? 
Eu não posso vê-lo, 
Não posso tocá-lo,
Não posso senti-lo,
Não posso ouvi-lo.
Eu posso ouvir algumas palavras,
Mas não posso fazer nada com suas palavras fáceis!

 
                                        (Closer Perto demais)

E então é isso
Apenas como você disse que seria
A vida é fácil pra mim
Na maior parte do tempo
E então é isso
A breve história
Sem amor, sem glória
Sem herói em seu céu

Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos...

E então é isso
Apenas como você disse que deveria ser
Nós dois vamos esquecer a brisa
Na maior parte do tempo
E então é isso
A água mais fria
A filha do vento
A pupila em negação

Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos...

Eu disse que te detestava?
Eu disse que eu queria
deixar isso tudo para trás?

Não consigo parar de pensar em você
Não consigo parar de pensar....

Até eu encontrar um novo alguém
The Blowers Daughter - Damien Rice

11 agosto, 2012

Bicho de sete cabeças

Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez ter feito
O que você me fez desapareça
Cresça e desapareça...
Não tem dó no peito
Não tem jeito
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada
Eu não fiz nada disso
E você fez
Um Bicho de Sete Cabeças...
Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça (Não tem ninguém que mereça)
Não tem coração que esqueça (Não tem pé, não tem cabeça)
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito (Não dá pé, não é direito)
Não tem nem talvez ter feito (Não foi nada, eu não fiz nada disso)
O que você me fez desapareça (E você fez um)
Cresça e desapareça... (Bicho de Sete Cabeças)
Bicho de Sete Cabeças!
  Geraldo Azevedo/ Zé Ramalho/ Rocha 

28 julho, 2012

Carente profissional


Piada sagrada que é o amor

Nestes tempos escassos de sol
Rodeada pela multidão
Carente do que desperta meus sentidos...


Tudo azul
No céu desbotado
E alma lavada
Sem ter onde secar
Eu corro, eu berro
Nem dopante me dopa
A vida me endoida
Eu mereço um lugar ao sol
Mereço ganhar prá ser
Carente profissional
Carente...
Se eu vou pra casa
Vai faltando um pedaço
Se eu fico, eu venço
Eu ganho pelo cansaço
Dois olhos verdes
Da cor da fumaça
E o veneno da raça
Veneno da raça
Eu mereço um lugar ao sol
Mereço ganhar pra ser
Carente profissional
Carente...
Levando em frente
Um coração dependente
Viciado em amar errado
Crente que o que ele sente
É sagrado
E é tudo piada
E é tudo piada!
Eu mereço um lugar ao sol
Mereço ganhar pra ser
Carente profissional
Carente...
Cazuza


29 junho, 2012

Quando Assim

 Quando eu era espera,
Nada era, nem chovia, nem fazia;
Só senti que a calma, não acalma
Quando só há solidão.
Quando eu era estrela
Era inteira na mentira que eu dizia
Ser o que não era,
Convencia, dentro da minha ilusão
Quando eu fui nada,
Faltou nada, tudo pronto pra escrever
Eu não sabia buscar,
Foi quando apareceu,
O que eu quis inventar,
Pra preencher o meu mundo particular,
No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu,
Já sei dizer que o amor pode acordar.
Núria Mallena

27 junho, 2012

Breve canção de Sonho

 Eu amo tudo o que foi 
Tudo o que já não é 
A dor que já não me dói 
A antiga e errônea fé 
O ontem que a dor deixou 
O que deixou alegria 
Só porque foi, e voou 
E hoje é já outro dia. 

Fernando Pessoa

                                          Psiqué reanimada pelo beijo do amor
                                           Antonio Canova (1787-1793)  
                                   
  Dormi sozinha e acordei
Cantando a nossa canção
Canção que só escutei
Num sonho que eu não lembrei
Mas juro havia paixão
Ainda vou me lembrar
De cada nota e refrão
Só sei que cê tava lá
E tudo o que aconteceu
Fugiu pra outro lugar
Não sei se posso falar assim do que vi
Você cantava pra mim
Suspiros, flores, perdão
Canção de amor é assim
Dormi sozinha e acordei
Cantando a nossa canção
Canção que só escutei
Num sonho que eu não lembrei
Mas juro havia paixão
Não sei se posso falar assim do que vi
Você cantava pra mim
Suspiros, flores, perdão
Canção de amor é assim
Não sei se posso falar assim do que vi sem saber
Você cantava pra mim
Se é ato falho, não sei
Canção de amor é assim
Dimitri BR e Zélia Duncan

 

10 junho, 2012

Surrealidade

                                                          (Hans Bellmer / 1902 - 1975 )

As lembranças de um tempo que se foi,
Por vezes teimam em me inundar...
As sombras de uma vida que pensei ter construído,
Por vezes invadem minha porta e entram sem bater.
Bastam algumas simples palavras
Para que eu mergulhe em lembranças,
Lembranças que estraçalham o peito...
Pois foram ditas,
Mas não condizem com o que vejo.
Simples palavras não me valem mais...
Simples canções podem representar o que alguns sentem,
Mas para o que sinto intimamente,
Não há música ou poesia que exprima.
Talvez alguma obra surrealista consiga em parte demonstrar
 A desconfiguração de minha alma,
Quando o “para sempre” foi substituído
Pela rejeição e o abandono,
Quando sentimentos foram trocados por silêncio e solidão.
Felizmente não sou um brinquedo quebrado
Que pode ser consertado.
Felizmente, eu não tenho conserto!
Mas certamente preciso de algo que ainda não tive
E talvez ninguém possa dar,
Talvez meu Universo seja muito surreal
Para alguém ousar entender...

01 junho, 2012

Mar de Mim


Sou como brisa que sopra em silêncio,
Nem todos conseguem sentir...
Sou como uma tempestade que inunda e enevoa,
Nem todos conseguem apreciar...
Hoje me satisfaço em amar o contraste que sou,
Fico feliz em me ter comigo
Enquanto me delicio no que descubro a cada dia.
 Meu maior prazer é mergulhar num mar de mim...
E o desafio que encontro é redescobrir quem sou.
Quando me percebo,
Encontro inúmeras esculturas desconstruídas e inacabadas,
Eu que sempre busquei perfeição em tudo que vi,
Hoje me descubro imperfeita, 
E rio disso,
Rio dos meus defeitos, 
Rio das minhas amarguras e do medo de ser esquecida ou descartada,
Rio da minha lerdeza e do meu gosto incomum pelas coisas.
Não espero mais encontrar alguém que me salve
Ou compreenda metade do que sou,
Procuro alguém que consiga ver além de mim,
Alguém que consiga ao menos enxergar-me bela,
Uma beleza que não só é vista,
Mas sentida da forma mais pura,
Alguém que mergulhe fundo sem receio,
Desvende-me com bravura,
E queira adentrar mansamente
Nesse mar que existe em mim...

25 maio, 2012

Introspecção


Meu olhar se perde em direção ao nada,
Visito um mundo onde não conheço ao certo
Mergulho intimamente em busca de mim...
Encontro minha essência a muito abafada
Pergunto onde esteve todo esse tempo,
Ouço um sussurro: “Sempre estive aqui!”.
O que faço então com a angústia e o vazio que sinto no peito?
“Sinta-os e celebre com a solidão”.
Fico atônita, como posso eu querer celebrar com a solidão?
Se por temor a ela quase pereci,
Se por temor a solidão me esqueci de quem sou...
Num piscar de olhos retorno ao mundo externo,
Olho ao redor de mim
E o que vejo não me conforta.
O que vejo é falta de compaixão, exigências, egoísmo, inveja, ciúmes;
Vejo uma supervalorização de tudo que é superficial e descartável,
Como microchips implantados para roubar tudo o que realmente nos pertence,
Nossos sentimentos puros e livres, e a nossa própria humanidade.
Percebo que a solidão tem nome e me acompanha sem que eu solicite.
Ela está presente em tantos momentos...
Quando me decepciono, sofro, busco e não encontro;
Quando descubro algo novo, me emociono ou digo adeus;
Quando sinto tristeza, erro ou sinto alegria.
 Respiro fundo, penso que a solidão é fiel...
Fecho os olhos enfim e sorrio,
Dentro de mim algo novo brota
E está prestes a desabrochar densamente,
Como um broto de rosa em meio ao adubo,
Como um embrião imerso no útero da mãe em pleno desenvolvimento.

14 maio, 2012

A Canção que Faltava

Eu não sabia mais sonhar
Eu preferia só ficar, sozinha nessa estrada
Eu esquecia quem sou eu
Eu refletia como o breu, antes da sua chegada

Você me trouxe o porque
Me fez sorrir por merecer
Me deu seu horizonte e a ponte pra acessar
O brilho desse sol em mim e a coisa toda de ruim
Se foi.
Acordo antes de você só pra ver o teu sorriso
Quando abre os olhos e me vê,
Pronto, o dia já se iluminou
Razões pra ir em frente eu tenho aos milhões

E no café ao meio dia
Você prepara o que eu queria
Um beijo acompanhado de ontem
Do corpo que eu maltratei de tanto te querer bem.

Inacreditável, eu me sinto confortável ao lado seu
É que eu não sabia que a vida me traria o que jamais me deu.
Minha boca não consegue mais, desgrudar da tua pele
Da sua saliência, dos seus sais
De tudo que emana aqui
Quando o amor a gente faz e nunca é demais

Ah se eu pudesse descobrir de onde vem o seu poder
Onde mora o seu mistério, o seu remédio
Prescrito pra me absorver do mundo que ficou
Pra trás

Eu nunca fui amada assim
Perto de você me sinto "clean", me vejo enamorada
O teu carinho o teu cuidar, teu jeito de me reparar
Mesmo que eu esteja nada

Não importa o tempo que passou
Eu quero desfrutar do que ainda me resta, o que me espera?
Há tanto pra recuperar
Há tanto pra contar de nós.
Isabella Taviani



08 maio, 2012

O Escafandro e a Borboleta

“Foi assim que deparei com o farol numa das primeiras vezes em que empurravam minha cadeira de rodas, logo depois que saí das brumas do coma. [...] Imediatamente me pus sob a proteção desse símbolo fraterno que vela pelos marinheiros e pelos doentes, estes náufragos da solidão” (Jean Dominique Bauby).
Jean Dominique Bauby foi um homem rico e apaixonado pela vida. Em um passeio de carro, sofreu um acidente vascular cerebral (AVE), entrando em coma. Quando acordou se viu em um hospital paralisado da cabeça aos pés, restando-lhe apenas o movimento do olho esquerdo para comunicar-se com o mundo externo. Como consequência teve o que os médicos chamam de síndrome de “Locked-in” (síndrome no qual o indivíduo permanece consciente, porém não pode se mover ou se comunicar dada a paralisia que afeta todos os músculos voluntários). Essa síndrome é o que descrevem de “A coisa mais próxima de ser enterrado vivo”. Apesar disso, ele não perdeu suas capacidades cognitivas, tendo plena consciência de tudo ao seu redor, porém, imóvel, limita-se a enxergar apenas o campo de visão que seu olho alcança e permanecendo no hospital, seu mundo passou a se restringir a uma entediante e dependente espera.
          Inicialmente Bauby recusou aceitar o seu destino, fazendo a primeira reação típica que os psicanalistas chamam de ‘negação’. Aprendendo uma técnica de comunicação inventada pela sua Ortofonista, no qual letras do alfabeto são indicadas com o piscar do olho, formando frases, ele começa a se comunicar com o mundo.
          A luta pela vida através da arte é um ideal que torna ‘ O Escafandro e a Borboleta’ um filme essencialmente poético e profundo, e não um filme “dramalhão”, no qual muitos tiram conclusões precipitadas pelo conhecimento da fantástica história do protagonista, pois a intenção do autor não é fazer-nos chorar do início ao fim, mas tocar-nos e contagiar-nos com tamanha sensibilidade e primitiva poesia retratados nas imagens e pensamentos de Bauby, propondo que nos deparemos presos a um escafandro, sentindo-nos sufocados e impossibilitados, tal como ele, que com sua paralisia, percebeu que sua vida foi uma série de frustrações. Porém, ao decorrer do filme descobrimos algo valioso, no qual ele se agarrou para continuar em frente...
          Em minhas pesquisas sobre os mecanismos de defesa que norteiam a teoria psicanalítica, pude perceber que Bauby utiliza para manter-se vivo, um mecanismo de defesa por excelência, que é a sublimação, onde um desejo contido e sublimado gerou a sua vontade de escrever através da única forma que tinha para se expressar, levando-o a concretização de seu livro, esse era o desejo que o fez sentir a necessidade de continuar vivendo, o desejo de escrever e publicar o livro de sua vida. Atravessar a monotonia do processo lento e quase interminável de repetição das letras do alfabeto para a elaboração do livro foi uma maneira de superar sua condição, o que foi retratado com maestria no filme. Pois mesmo preso a um escafandro, seu Ego continuava lá, preso a realidade, porém mobilizando-se todo o tempo através do seu desejo, expresso pelo seu olho esquerdo. Bauby é uma larva enclausurada que depois de extremo esforço se transforma em borboleta, e através do olhar assustado de uma criança, com desejos e memórias afloradas, experimenta os seus sonhos, livres de repressões e de recalques que na verdade são impostos pelo ‘outro’, pois na imaginação não há limites, tudo se pode.

“Quanto ao prazer, apelo para a lembrança viva de sabores e odores, inesgotável reservatório de sensações. Não existia a arte de bem aproveitar os restos? Eu cultivo a de cozinhar lembranças em fogo lento”. (Jean Dominique Bauby)

01 maio, 2012

O Despertar


Quero poder abrir os olhos e sentir sem medo,
Viver o impossível, provar do improvável.
O medo é quem nos impede de sermos quem somos,
O medo nos distancia da verdade.
Quero ser o melhor para o mundo,
Sem deixar de ser o melhor para mim.
Quero sentir o poder da Criação em minhas entranhas
E pular no abismo,
Com a certeza de que tudo será mais intenso,
Tudo terá mais graça e sabor...
Quero sorrir para o tempo mesmo sabendo que ele é mais certo e preciso,
Quero gozar da vida quando descobrir que o futuro é incerto.
Quero não mais ser o que fui, mas contemplar o que sou...
E quando, novamente me deparar com a solidão,
Quero não mais entrar em desespero,
Mas apenas abrir a janela e libertar meu coração.